Não penses em mim!
Não penses em mim
Que o pensamento é demasiado frugal
Para a sede que trago.
Lisonjeia-me com o teu sorriso,
Apazigua-me com os teus olhos,
Liberta-me com a tua voz.
Esta longa estrada separa-me de ti,
Sei que sinto nas minhas folhas o sopro da melancolia,
Que os dias são escuros e que a seiva detém o seu caminho,
Que no meu tronco, já não há fôlego para novos ramos.
As folhas murcharam e a vida está seca.
As folhas pesam-me,
Até na brisa leve.
Os caules largam-lhes a mão,
A seiva derrama-se suavemente pelo chão.
Procura-me na rajada de vento e
Nas noites de luar, onde armo o teu berço,
Procura-me no silêncio das coisas,
E na frescura do poente.
E, se não me vires, olha para ti e acha-me
Na solidão do teu reflexo,
Mas não penses em mim!
S.C.S. F.
23/05/06